a identidade em mim
presente
desencantou-se
e caiu
perdi o tom de mim
e fiquei sem
som
e
sem o sopro de saber
quem
sou
vivo
ante o tempo presente
com saudades
de mim
Sítio destinado a resguardar as diversas reminiscências que se perdem no amontoado do tempo...

Nessa tua proximidade distante
Fico a todo instante
Buscando o teu compasso
Re-criando teu fino passo
E, no entremeio deste desejo
Firmo a calma e recolho meu ensejo
Fico na espera do vento
Aguardando teu toque de alento
E a musa assim
Acaba por buscar em mim
O acalanto de uma noite em chuva
Tal como o vinho repleto de uva
Que, quanto mais tempo repousa
Mais o sabor afina e assim ousa...

salta e plana
planta que desabrocha
abre em pétalas
e esconde os espinhos
lindos enlaces de perfume
e tenra morada
atiça o terreno
e envolve o mistério
da vertiginosa queda
salta e plana
cai no leito
desse rio que flui
que brota da nascente
de água mais límpida
pelo frescor abençoado
não há limites para o rio que corre
somos esse rio que volta ao mar
e que faz chover
e contorce a rocha
com singelo bater
acorde da natureza
que pinta a música
no vir a ser
e faz fissura
e deixa entrar
Salta
voa até o rio que corre
abaixo do precipício
vamos juntos navegar
pois eu
também sou flor que voa
Um olhar razoável sobre a questão,
Qualquer que seja a coisa
