*Será feito um lançamento em Mococa/SP, com data ainda a ser definida.
Tuesday, October 28, 2008
Thursday, October 16, 2008
RESENHA DO LIVRO “A COISA EM SI”
O livro foi o resultado de toda uma vida de criação. O autor se declara tangido pelo “desejo de criação”, fato que sempre o levou a produzir, em todos os gêneros literários, diversas obras, tendo escrito dois romances, um livro de contos e vários de poesia, ainda não publicados. “A Coisa em Si” foi o seu último trabalho em poesia, escrito “com um sentido maior, em que vida e texto se articulem; letra e sangue se misturem; e espaço e tempo se revelem” - como bem disse Affonso Romano de Sant'Anna, outro poeta contemporâneo.
A poesia oferece ao leitor uma leitura prazerosa, trazendo consigo uma experiência estética diferente do texto em prosa, pois a poesia não fica restrita apenas ao significado, vai além, mostrando-se repleta de sonoridade, ritmo e forma.
A proposta do livro é ressaltar a função poética da linguagem, que busca a palavra-primeira, aquela palavra pura, livre da nomeação pragmática, que quer ser aquilo que representa. Uma rosa no poema é a própria rosa, com seus espinhos, perfume, cores e flores. A rosa é representada pela palavra. A palavra, por sua vez, é a própria rosa, é a coisa em si. É isso que o autor quis revelar através dos seus versos, trazendo a coisa que está sendo representada para fora do texto, tornando a poesia um gênero que transcende o significado, fazendo necessária a união com o ritmo, a sonoridade e a forma.
O universo poético do livro “A Coisa em Si” tende a representar O signo lingüístico em sua forma originária, com múltiplas significações. É uma viagem rumo ao pensamento de um poeta com sensibilidade, que lida com temáticas que envolvem a condição humana. Também é trabalhada a questão da metalinguagem, que é o poema que quer se explicar, bem como o ofício de escritor, que existe em todos nós. Existem ainda poemas sensuais, que buscam representar a completude do amor, da figura feminina, bem como poemas que destacam os desencontros entre os amantes. Com um senso profundo da alma humana, podemos perceber uma tendência ao pessimismo, sendo este necessário para a compreensão da natureza do mundo e do homem contemporâneo, que busca sua identidade em meio à fragmentação do cotidiano desenfreado.
Afinal, o livro “A Coisa em Si” é o resultado de um lirismo ornado por uma multiplicidade de sentidos, eixos temáticos, ritmos e imagens, próprios da natureza humana. É um livro que se torna um “ser de linguagem”, uma coisa em si.
Futuramente serão postadas as datas e os locais de lançamento - previstos para Novembro e Dezembro de 2008.
Wednesday, July 30, 2008
QUEM SOU...
Monday, June 23, 2008
ALGUÉM QUE SONHA
Um olhar razoável sobre a questão,É o que esperam como doação.
Ilusão aprovável, pois faz jus,
À maleável ação de quem seduz.
Aceitam de forma fácil o fácil;
Efemeridade que dura muito tempo...
Sem tempo pro alento,
Sendo que o luto é carregado por um monte de cruz (e credo)
De fé morta,
Recomposta por uma borboleta cinza
Que passa sem avivar a memória,
E se o faz,
Desfaz,
O encanto da cor rósea.
Sendo o cinza a verdade verdadeira da história de outrora,
Quando contavam que o pó da asa nos deixaria cegos,
Ou ainda: que era uma bruxa a tal cinza que voa!
Voando com o olhar
do pequeno a acompanhar
suas batidas
voa bela e exuberante
mas deixa medo no seu rastro cegante
em gargalhadas bruxescas
que mexem na espinha da gente
E assim vai a verdade a escorrer,
A transcorrer o limite da vaidade,
Sendo que a verdade
É cinza demais
Para alguém que olha para o alto,
E se vê lá embaixo,
Como alguém a sonhar.
Friday, June 20, 2008
A COISA EM SI
Qualquer que seja a coisaOu a não-coisa
Estaremos por aqui
Nessa mania de tentar ser coisa-em-si
Freneticamente em-si
Para poder sonhar no fora-de-si
Se espelhando no-ser-em-outro
Acreditando que estamos no-outro-e-pelo-outro
E, dessa maneira, enfim, felizes
O que não deixa de ser cômico-trágico
Como uma ansiedade mesclada à nostalgia de nós-mesmos
Que se torna, em ritmo roseano,
Numa ansialgia
Ansialgia de um tempo-em-si-mesmo que não volta
E que está preso
Em algum lugar desse alguém-em-si
Que somos nós-mesmos aqui e ali
Wednesday, May 28, 2008
POEMA DE UM OLHAR PERDIDO

Quando te vi e ouvi
Encontrei – novamente – em mim mesmo
Aquele velho – porém – menino sentimento
E teu olhar – à distância – se dirigindo ao meu
Revelava o teu desejo visto – mas – não enxergado
E nesse abismo – de trinta centímetros – vertiginoso
Que nos separa
Do real e do possível [intercalando o (ir) e (im)]
Continuamos a sufocar nosso super-id
Negando o suor do perder-se em si
Para continuar espreitando – em distância – um só
Acreditando na impossibilidade – a um passo – do toque
Confiamos no não-querer e não no seu contrário
E com isso partimos para a realidade – que faz:
– suspirar e continuar e acentuar e tanger e aprender e esquecer e sufocar –
...
E pensar que ainda ontem
Tão perto e tão longe
estava eu – estava você – estávamos nós
simplesmente – e por auto-vontade – a sós
Tuesday, May 20, 2008
Conheçam o conto: A MENINA QUE ANDAVA ENGRAÇADO
http://www.gargantadaserpente.com/coral/contos/anpl_menina.shtml
Boa leitura!
Friday, May 09, 2008
AMIZADES ANTIGAS

De amizades antigas
Aquelas da meninice
E o assunto é o retorno
Desse tempo que não volta
Mas que se faz presente...
E é apenas isso que (re) volta
Mostrando que apenas o passado
É latente
E o presente
Converte-se
Numa matéria que não compete
E esses amigos remotos
Perderam-se pelo tempo
Tornando o reencontro vazio e
descontente...
Thursday, April 17, 2008
Friday, February 22, 2008
O OBJETO DIVINO
O que poderia dizer deste objeto? O fizemos hoje à tarde, nos preparando para usá-lo à noite, na alcova, como deve ser feito, embrenhados em alguma sombra da vigília, nos escondendo da lua, pois nem ela pode presenciar tal acontecimento. É algo único e exclusivo, para privilegiados ou não que, mirando-se na ponta do objeto, retiram ternas calmarias e turbulentas inquietações. Uma mescla de sensações, de euforia intensa, de tristeza profunda. Poderia muito bem dizer que este objeto transmuta nossa essência para além de nós mesmos. Não seria ousado afirmar que perdemos nossa identidade, todas elas, e nos tornamos leões presos em pequenas jaulas, de onde podemos apreciar somente uma pintura daquilo que foi nosso verdadeiro lar; ao invés de carne fresca, feno; ao invés de montanhas e estepes, chão enferrujado e carcomido pela urina; ao invés do céu, uma massa enegrecida pela chuva.Não poderia dizer que moldamos calmamente o objeto, pelo contrário, fizemos com as mãos trêmulas, imaginando o momento de usá-lo, de perpetuá-lo, de fazê-lo exalar. Os olhos estalados, a respiração arfante, o coração descompassado; seria a emoção? Creio que sim! Nos sujeitávamos a este ofício por prazer, para, na verdade, matar o tempo. Não agüentávamos mais esperar até a noite, momento em que iríamos buscar o combustível da nossa obra. E o melhor: ficaríamos livres dos objetos improvisados, sem caráter, sem nosso toque especial... moldamos com nossas mãos, nossos dedos amarelentos. E logo o usaríamos... ah, se ansiedade matasse...
Ao terminarmos o colocamos para secar junto ao sol. O mesmo calor que o endurecia acabava por ferir nossos olhos sem luz que, perdidos em si mesmos, migravam para uma região inabitada, onde um corpo sem voz tentava clamar pela força felina que jazia ao fundo de uma cela... na verdade estávamos cansados, mas não tínhamos outra opção. Como louvadores sem deuses que, por mera coincidência forçada, encontram a estátua de algum ser divino, reconhecendo nesta aparição o seu júbilo, e assim se entregam em adoração. Ficamos a observar aquele objeto, reconhecendo nele a satisfação futura, e assim nos reconfortamos... não isentos de uma ansiedade destruidora e muda.
Cair da noite. Hora da caça. Rua. Calçadas estreitas. Calçada sem acabamento. Terra fria. Palmas que ecoam. Um vulto aparece acima do muro. Um pedido. Uma entrega. Uma saída rápida. Olhar para os lados antes de atravessar a rua. Cair da noite. Fim da caça. Recolhimento da presa. Volta ao objeto adorado. Hora do louvor.
* * *
O sol da manhã acompanhava todo o quintal, que estava coberto por um cimento enlodado, geometricamente trincado, com folhas secas da velha goiabeira pelo chão. Um cão passeava por lá, sem latir, estava em busca de algum resto de comida que não existia. Coçou a pelugem seca, que voava com o vento, aumentando o amontoado de pêlo negro no canto da parede sem reboque. Os olhos caninos viram, ao longe, um pequeno objeto estirado no chão. Correu imaginando ser um osso mas, que decepção, era um pequeno cachimbo. Estava ainda quente e cheirando a borracha queimada. O pequeno cão foi espantado por uma menina, quase tão pequena quanto ele que, ao reconhecer o objeto que seus irmãos adoraram durante a madrugada, ficou absorta em saber qual era seu poder, mas não saiu fumaça alguma quando o enfiou na boca, como uma chupeta, e o sugou. Apenas um gosto horrível e a vaga lembrança da noite passada...
No início foram risos e louvações, como os crentes que se encontram diante da imagem e da sensação de um bom deus, que eles mesmos criaram para diminuir sua pequenez, mas que revigora e sacia a fome; mas logo este deus, que era um deus castrador, mostrou sua outra face. E começou a dúvida, as perguntas sem explicação, a sensação de vazio, o medo, o rancor, o ódio... aquele deus os abandonara. Estavam irremediavelmente sozinhos. E a fumaça da louvação se converteu em insanidade e vazio. Estavam, literalmente, crédulos.
Thursday, December 13, 2007
...hoje!
Thursday, August 23, 2007
VIRTUALISMOS...

Cada mulher desperta algo no poeta que a observa,
Que se confrange diante de expirações e inspirações,
Para aliviar-se com a calmaria de um silêncio...
Há uma destas meninas-distantes que se destaca,
Onde o platonismo romântico torna-se praticável:
Uma habitante de Macondo!
Foi nesta aldeia que a conheci...
Encontrei-a caminhando pelas ruas fantásticas desta cidade imaginária;
Em verdade a encontrei no nicho da internet.
Sim, ela é virtual.
Como adoraria ter a tua inspiração sempre por perto...
Em cada um dos nossos diálogos
(cercados por códigos binários)
Posso retirar inúmeros versos...
Imagina quantos pássaros de fogo não tiraria do teu olhar?...
Tuesday, June 19, 2007
TEORIAS...

- a leitura pela leitura, e nada mais!!! –
E ela diz, calmamente, com os olhos brilhantes:
- Estou extasiada... quando puder leia também!
E ela fica linda quando diz isso (e em quase tudo o que ela diz!)
- Vou procurar ler, para também extasiar-me...
E reflito (em conflito), como se fosse impossível a não-abstração:
“que atice a imaginação sem grandes pretensões...”
Da maneira como eram as primeiras leituras...
A Teoria tanto alimenta o intelecto quanto arruína os deslumbramentos...
E ela, estudante de psicologia, recebe a pergunta:
- Consegue ver o ser humano com os mesmos olhos inocentes de outrora?
Consigo eu ler um livro com a mesma ingenuidade (e como era bom!!!) de antigamente?
Teorias e mais teorias...
mas se não fossem elas, como seria?
Tuesday, May 29, 2007
UNIDUALIDADE

Em pensamentos:
sensações cosmogônicas invadem meu ser, me trazendo a sensação do infinitesimal... contato com o cosmos ou apenas um desvio para o que há de mais sublime na natureza humana? Unidualidades...Seria você???
E assim vamos seguindo
Ocultando desejos
Inventando leis e regras que nos inibem...
Uma forma de preservar-se à frustração?
Mas se a vida é tão dela...
Como partir para o princípio?
(preciso disso para justificar o final...)
É complicado estes desejos furtivos...
quero-te, mas apenas por agora!
Talvez por instantes mais, só não sei quantos mais...
E não me cobre isso!
Apenas me descubra, revelando meu corpo nu...
...aí podemos brincar sem roupa
como temos verdadeiramente vontade!
Por que ocultar esta certeza?
Ah, as leis e regras da sociedade...
mas existe sociedade entre quatro paredes?
Bom... vou indo. Me procura.
E retrucas:
- Mas como te encontrar? Não tenho teu endereço...
E re-retruco:
- Tens algo mais importante: tens meu apreço!
Isso já não basta?
=o silêncio que precede a entrega=
Tuesday, May 08, 2007
SUSPIROS...

Que nada mais é que o enlevo da nossa cumplicidade...
Me arrisco e insisto, com todo o meu carinho:
O suspiro...
no meu caso é um olhar perdido...
e uma vontade...
e um desejo e uma angústia...
e uma saudade
e duas vozes que não falam... mas se fazem entender
e se entendem como nenhuma outra voz ainda conseguiu...
e isso surpreende e encanta...
...
<<suspiro
Monday, March 26, 2007
HONESTIDADE

Ardil que dilacera;
Angústia que dissemina;
Manter-se fiel ao sonho
É o mesmo que se erguer entre macacos.
Fealdade do tempo;
Máscara da intempérie;
A lascívia da natureza eterna
Que não se transforma,
Que rege a psique e as inconseqüências;
Manter-se fiel ao sonho,
À fraca imaginação;
Ao lodo do imaginário;
Embuste descarado;
Amarga honestidade;
Fingir-me!
Flagrar-me!
Eis minha face à mostra:
A de um honesto derrotado
Por sua honestidade impotente.
Antes uma mentira,
Mas até ela seria honesta!
Wednesday, February 28, 2007
SONETO XI
Quando tudo se silencia,
Procuro a terna calmaria;
Nestas visões um pouco tardias,
Que se revelam em finais de dias.
O pôr-do-sol acontece,
E tudo em mim se estremece,
Tentando salvar um pecado
Que se revela inalterado.
O erro do minuto seguinte,
Quando o escuto por conseguinte,
Num relógio qualquer e abalado.
O instante nem sequer é alterado,
E mais um dia se vai desesperado
Sem nos ter enfim despertado.
Friday, January 19, 2007
DECIDIDAMENTE...
Cientificamente eu saberia responder,
Mas espiritualmente receio que não.
De onde vem esse líquido
Que sai de meus olhos e inunda minha boca?
O gosto salgado seria uma referência ao mar?
Um amontoado de perguntas pairando na alma,
E um peso terrível herdado em tão poucos anos...
Psicologicamente eu saberia responder,
Mas objetivamente receio que não.
De onde vem essa saudade de algo que nunca tive?
O que meu espírito deseja rompe minha realidade;
Em sonhos transbordo em ondas mornas,
Mas sou despertado pela frieza da rotineira certeza.
A sina que me fiz herdeiro me atormenta...
Filosoficamente eu saberia responder,
Mas sentimentalmente receio que não.
De onde vem essa solidão de idéias,
Esse dizer que ninguém entende?
As idéias pairam como sombras de vela,
Erguendo suas imperfeições e revelando mistérios,
Mas essa herança da incerteza me desconcerta...
Divinamente eu saberia responder,
Mas humanamente receio que não.
Naturalmente me afasto do religare,
E tombo abatido entre livros santos
Que nenhum conforto me traz...
Tateando no mundo obscuro do Eterno,
Percebo minha sina que herdei por ser humano...
Decididamente eu criei a minha herança,
E hoje partilho as dores da minha angústia
Com aqueles que me rodeiam.
Meus antepassados me delegaram buscas,
Que hoje deixam obscuras as minhas procuras.
Subjetivamente posso responder a mim mesmo,
Mas ainda não aprendi a fazer a pergunta correta...
O segredo da resposta está no que a antecede...
Tuesday, January 09, 2007
OBSERVAÇÃO MATUTINA
Friday, January 05, 2007
Mensagem de ANO NOVO - 2007 -

? ... 1980 - 1981 ... 2002-2003 . . . 2007... ?
A cada ano que se vai percebemos menos os caminhos que percorremos ao longo dessa trilhagem. "Tudo passou tão rápido", diz a maioria. Mas percorrendo novamente esses caminhos podemos verificar que foram várias as estradas que ladeamos; que foram muitas as pedras que descavamos; que muitos deslumbramentos nos encantaram ao horizonte... quantas essências fragmentadas não conseguimos captar; quantas vozes não ansiamos em ouvir; quantos sonhos não jazem perdidos pela falta de memória ao despertar... E de toda essa finitude posso afirmar que o tempo (esse velho gozador) nos fornece o material necessário para nos perdermos ou nos conduzirmos de forma precisa... Vimos tantos caminhos: alguns foram trilhados, outros deixados de lado. E querem saber de algo? Sabe o motivo de vermos sempre o tempo passando rápido e confuso? Por que o caminho que trilhamos acaba passando despercebido! Nos preocupamos demasiadamente nos caminhos que não estamos a trilhar... Aquela estrada que nos conduz é ofuscada pelo horizonte, pela pista ao lado; nos preocupamos em demasia com sonhos e formulações... ficamos tão acostumados a perguntar se estamos certos ou errados que não percebemos a evidência que se oculta nos detalhes, nos pequenos e fidedignos detalhes que estão à nossa frente... Os caminhos que não trilhamos nos incomodam e nos ofuscam demais. Vivamos nosso caminho real nesse novo ano. Vamos nos preocupar com nossa essência e compreender o caminho (não o caminho do lado, mas o NOSSO caminho).
É o que desejo a todos.
Feliz 2007 - SORTE E COMPETÊNCIA -


