
Amo a imagem
de você dormindo,
e com essa lembrança
fio a minha calma,
para tecer a alma
de quem espera
ser bem-vindo.
Sítio destinado a resguardar as diversas reminiscências que se perdem no amontoado do tempo...
Nessa tua proximidade distante
Fico a todo instante
Buscando o teu compasso
Re-criando teu fino passo
E, no entremeio deste desejo
Firmo a calma e recolho meu ensejo
Fico na espera do vento
Aguardando teu toque de alento
E a musa assim
Acaba por buscar em mim
O acalanto de uma noite em chuva
Tal como o vinho repleto de uva
Que, quanto mais tempo repousa
Mais o sabor afina e assim ousa...

salta e plana
planta que desabrocha
abre em pétalas
e esconde os espinhos
lindos enlaces de perfume
e tenra morada
atiça o terreno
e envolve o mistério
da vertiginosa queda
salta e plana
cai no leito
desse rio que flui
que brota da nascente
de água mais límpida
pelo frescor abençoado
não há limites para o rio que corre
somos esse rio que volta ao mar
e que faz chover
e contorce a rocha
com singelo bater
acorde da natureza
que pinta a música
no vir a ser
e faz fissura
e deixa entrar
Salta
voa até o rio que corre
abaixo do precipício
vamos juntos navegar
pois eu
também sou flor que voa
Um olhar razoável sobre a questão,
Qualquer que seja a coisa

O que poderia dizer deste objeto? O fizemos hoje à tarde, nos preparando para usá-lo à noite, na alcova, como deve ser feito, embrenhados em alguma sombra da vigília, nos escondendo da lua, pois nem ela pode presenciar tal acontecimento. É algo único e exclusivo, para privilegiados ou não que, mirando-se na ponta do objeto, retiram ternas calmarias e turbulentas inquietações. Uma mescla de sensações, de euforia intensa, de tristeza profunda. Poderia muito bem dizer que este objeto transmuta nossa essência para além de nós mesmos. Não seria ousado afirmar que perdemos nossa identidade, todas elas, e nos tornamos leões presos em pequenas jaulas, de onde podemos apreciar somente uma pintura daquilo que foi nosso verdadeiro lar; ao invés de carne fresca, feno; ao invés de montanhas e estepes, chão enferrujado e carcomido pela urina; ao invés do céu, uma massa enegrecida pela chuva.

